quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cultura da Convergência e Linguagem da Mídia Digital

A melhor forma de explicar o que é convergência é analisarmos o que representa o celular, símbolo atual da convergência dos meios de comunicação em termos de linguagem e tecnologia.

A cultura da convergência tem a ver com a forma como comunicamos e também utilizamos os meios tradicionais de comunicação, desde o simples diálogo até a utilização de meios que permitam que a mensagem chegue a mais pessoas num determinado tempo.

São exemplos do megafone para um público presente no mesmo local, o jornal impresso que utiliza um sistema de transporte para levar a informação até as pessoas e o desenvolvimento tecnológico que possibilitou a entrega de conteúdo em tempo real, como o rádio e a TV.

Cada meio de comunicação possui características reconhecidas por suas utilizações e também devido às restrições tecnológicas intrínsecas.

Com a tecnologia digital, vivencia-se a sobreposição dos meios e com isso seu resignificado.

Os computadores são responsáveis pelo processamento de dados, a Internet a velocidade da entrega da informação e com isso a comunicação foi transformada e vive sob constante mudança, que podemos analisar pelos princípios do hipertexto.

Hoje podemos considerar como mídia digital aqueles meios de comunicação que possuem, tecnologicamente, as características de um computador e com possibilidade de conectividade, inclusive com a Internet.

A conectividade que permite que aparelhos se comuniquem. Com relação ao conteúdo, linguagens de programação permitem a interligação de conteúdo proporcionando novas significações, que é o sentido de linguagem nos termos de interpretação de conteúdo.

A mídia digital é baseada nos princípios do hipertexto, que é um conjunto de nós interligados formando uma rede. Esses nós podem ser qualquer coisa: áudio, imagem, texto, pessoas, empresa, computador, cidade etc.

De acordo com Lévy, são seis (6) os princípios do hipertexto:

1. Princípio da metamorfose: em constante mudança, sua estabilidade é fruto de um esforço.

2. Princípio da heterogeneidade: cada nó pode ser qualquer coisa: áudio, vídeo, texto, imagem etc.

3. Princípio da multiplicidade e de encaixe das escalas: em um nó pode conter uma rede inteira. Ex: website que é composto por vários arquivos interligados.

4. Princípio de exterioridade: o tamanho da rede depende de um exterior indeterminado. Qualquer um pode adicionar ou excluir um nó.

5. Princípio de topologia: tudo é questão de caminhos, conexões entre os nós.

6. Princípio de mobilidade os centros: não existe um centro, existem vários centros, pontos luminosos que podem dar sentido ou direcionamento para a rede.

Exemplo de característica do meio, baseado no que Joshua Meyrowitz chama de variáveis gramaticais:

TV:

- Inserção comercial.
- Imagem.
- Áudio.
- Possibilidade de transmissão ao vivo.
- Programas de curta duração.

Cinema:

- Imagem e áudio em alta qualidade.
- Som surround.
- Possui uma narrativa.
- Uso de novas tecnologias. Ex: 3D.

Papel:

- Permite desenho.
- Pode ser pautado, quadriculado.
- Serve para fazer origami.

SMS:

- Tecnologia que permite envio de mensagens de até 160 caracteres através do celular.

Diário Pessoal:

- Registro de acontecimentos diários em ordem cronológica.

Foto:

- Uso de enquadramento.
- Seleção de ângulo.
- Foco.
- Contraste.

Conversa:

- Diálogo.
- Resposta imediata.


Criação de novos meios a partir de variáveis gramaticais:

TWITTER: microblog.
Recursos que associam às características de foto, papel, transmissão ao vivo, diálogo, texto, diário, SMS.


Conclusão:

. Mídia digital - sua base é o código binário (0 e 1), que é a linguagem da máquina.

. Tecnologia + conteúdo = comunicação.

. Comunicação seletiva que determina o significado do meio no ciberespaço.



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